A PRECEPergunta 659 do Livro dos Espíritos: Qual o caráter geral da prece? R: “ A prece é uma ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nele, aproximar-se dele, pôr-se em comunicação com ele. Pela prece podemos fazer 3 coisas: louvar, pedir e agradecer”! Mas existe uma fórmula pré-definida para a prece? No Evangelho Segundo Espiritismo no capitulo XXVII, sob o titulo Pedi e Obtereis, o primeiro item, nos descreve as condições da prece, se baseando nas palavras de Jesus. Diz o Evangelho: “E quando orais, não haveis de ser como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas, e nos cantos das ruas, para serem vistos dos homens, em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e fechada a porta, ora a teu Pai em secreto; e teu Pai, que Vê o que se passa em secreto, te dará a paga. E quando orais não faleis muito, como os gentios; pois cuidam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não queirais, portanto, parecer-vos com eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário.” S. Mateus, VI:5-8. Deste trecho do evangelho podemos tirar as condições da prece, quais sejam: humildade (não se colocar em evidência para chamar a atenção dos demais sobre si mesmo); sinceridade; poucas palavras: “Os Espíritos sempre disseram a forma não é nada, o pensamento é tudo; Faça cada qual a sua prece de acordo com as suas convicções e de maneira que mais lhe agrade, pois um bom pensamento vale mais do que numerosas palavras que não tocam o coração (ESE, cap. XXVIII); Mas Jesus, foi além na orientação, em São Marcos, XI, 25-28: diz-nos que se tivermos alguma coisa contra alguém, primeiro devemos perdoar, para que “Vosso Pai , que esta nos céus , vos perdoe também”. Aqui temos outra orientação, que diz respeito a uma condição pessoal, ou seja, se fazer prece é um ato de adoração a Deus, como informa na pergunta do Livro dos Espíritos acima citado, como podemos adorá-lo em verdade e em Espírito, com mágoa, ou ressentimento de um irmão, se o segundo maior mandamento é Amar ao próximo? EFICÁCIA DA PRECE Como vimos pela prece podemos fazer três coisas: pedir, louvar e agradecer: O Pedido Disse Jesus: “todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão. (São Marcus, XI:24) O Pai Celestial sabe antes e melhor do que nós o que necessitamos. Mas, então, porque iremos pedir? A quem conteste a eficácia da prece, baseando-se no principio de que, conhecendo Deus nossas necessidades, é supérfluo expô-las. Jesus assim aconselha porque, pedindo pela prece, nos colocamos numa posição de submissão em relação a Deus. Essa atitude de humildade dará condições ao nosso Espírito de receber as boas influências provindas de Deus. Inspirações que nos levarão a vencer com mais tranqüilidade e esperança as dificuldades. Sabemos que há leis naturais e imutáveis que Deus não derrogará segundo o capricho de cada um. Muitos não oram por achar que todas as circunstancias da vida estão submetidas à fatalidade. Então dizem: pra que orar? Pra que pedir se nada vai mudar mesmo? Ou, dizem, quanto mais eu peço ajuda mais difícil fica. Sabemos, pois, pela lei de causa e efeito, que nossa atual situação esta intimamente ligada às nossas escolhas na vida passada, ou seja, estamos colhendo hoje o que plantamos no ontem; porém, isso não significa que temos que levar uma vida inteira de sofrimentos. Quando oramos, em primeiro lugar estamos nos sintonizando com Deus, ligados intimamente pelo pensamento, num ato de submissão do filho perante o Pai; nesse momento, mobilizamos as forças criadoras do Universo, no qual estamos inseridos, essas energias nos darão forças para mudar o quadro mental, espiritual, sentimental em que nos encontramos. Então possuidores do livre arbítrio, amparados pela inspiração Divina começamos a mudar o nosso quadro mental, transformando as nossas energias negativas em positivas. As coisas começam a acontecer de forma a melhorar nossa existência. A mudança de comportamento nos leva a conquista da espiritualização, de forma a plantarmos coisas boas e colhermos os frutos dessa plantação! Infelizmente existem forças contrárias que tentarão nos desistimular, porém a prece é para nós o mais eficiente antídoto do vampirismo de espíritos ainda equivocados e que se comprazem com a infelicidade alheia. No entanto, se formos persistentes e usarmos os benefícios que a prece nos traz, esses mesmos espíritos que nos perseguem serão beneficiados, pois diz-nos André Luiz, na Obra Missionários da Luz que a oração: é vibração, poder; a criatura que ora, mobiliza as próprias forças, realiza trabalhos de inesprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder. Os raios divinos, expedidos pela oração santificadora convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência. As vibrações expandidas pela prece tem a eficácia de envolver aqueles que ainda se mantém na escuridão servido de luz e libertação. Jesus disse: “tudo o que pedirdes, crendo recebereis”: devemos aqui ter certo cuidado ao entender essas palavras, pois seria ilógico concluir que basta pedir para obter; além disso pode induzir ao erro de acusar a Providência Divina de injusta, uma vez que não cede a todo o pedido que lhe é feito. Em primeiro lugar devemos sempre lembrar de que Deus é bom e justo, misericordioso, mas como um Pai por excelência sabe o que é melhor para seus filhos. Então muitas vezes, na maioria das vezes, como crianças mimadas, pedimos coisas que não serão concedidas porque poderia complicar nossa existência. Importante ressaltar aqui, que não adianta pedirmos coisas materiais, elas não “cairão” do céu. Mas pedir, e exagerar no pedido, das forças inspiradoras para o trabalho dignificante, que conseqüentemente levará a conquistar as coisas materiais. Porém com o cuidado de não priorizá-las mas do que aos bens espirituais, porque estes sim, permaneceram eternamente com o Espírito, pois neles “ nem a traça nem a ferrugem consomen”. Deus concede a coragem, paciência e resignação. Ainda concede aos seus filhos meios de sair de uma situação ruim por si mesmos, com a ajuda das idéias que são sugeridas pelos Bons Espíritos, deixando assim o mérito da conquista ao próprio Ser. O Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. XXVII, item 8), cita como exemplo um homem que se encontrava perdido no deserto, sofrendo de uma terrível sede, desfalece e deixa-se cair no chão. Roga a Deus por socorro e espera. Entretanto um Bom Espírito lhe sugere o pensamento de se levantar, seguir uma das veredas que se apresenta a sua frente; então reúne suas forças levanta-se e caminha ao acaso, até que chega a uma elevação e vê um riacho, encorajado segue pelo caminho e sacia sua sede. “Se tem fé dirás: Obrigada meu Deus, pelo pensamento que me inspirastes e pela força que me destes; Se não tem fé, dirá: “que pensamento bom eu tive”!” Mas porque esse Espírito Bom não lhe disse claramente para seguir por aquele caminho onde encontraria água? Primeiro foi para ensinar que é preciso ajudar a si mesmo e fazer uso das próprias forças. Segundo pela incerteza, Deus coloca a prova á confiança e submissão à sua vontade. E veja esse exemplo comparando este homem como uma criança que cai e que percebendo alguém grita e espera que a venha levantar; se não vê ninguém, esforça-se e se levanta por si mesma. Muitas vezes, fazemos rogativas e esperamos as respostas segundo a nossa vontade, mas as respostas aos pedidos é conforme a vontade de Deus, que tudo sabe. Esperamos benefícios dos quais ainda não somos merecedores, e ainda nos revoltamos quando não recebemos aquilo que queremos. Também desejamos as coisas pela graça, achando que a Divindade esta para nos servir os caprichos. Queremos obter favores sem o menor esforço. Estes não virão, estamos no mundo físico para evoluir, tanto espiritualmente quanto intelectualmente, se nos fosse dado tudo o que pedimos, onde estaria a nossa evolução. Pelas necessidades que temos somos impulsionados para o progresso. Pedir saúde do corpo é pedido válido, porém não adianta pedir saúde se diariamente colocamos a mesma em risco; pelos vícios morais; (sentimentos de inveja, ciúme, orgulho, vaidade, etc. venenos que minam nosso espírito e que vai refletir na saúde física uma vez que o espírito esta ligado ao corpo), e vícios físicos, como glutonaria, alcoolismo, tabagismo, sexolatria, drogas, vida sedentária etc. Orar em favor de alguém: quando oramos por alguém nossa prece é mais rapidamente atendida, pois é um ato de amor, doação, pois compartilhamos com o sofrimento alheio, nos tornando mais humanos e menos egoístas. Vemos então que devemos ter cautela ao interpretar as palavras de Jesus no sentindo de que tudo o que receberemos tudo o que pedirmos; lógico que isso esta ligado ao que vamos pedir. A prece como louvor Louvar a Deus não significa que devemos adulá-lo ou bajulá-lo, pois isso seria vaidade, e a mesma é atributo humano de ordem inferior e Deus não possui tal atributo. Ele é onipotente por si só, não precisa da nossa bajulação. Mas louvar a Deus é o reconhecimento da sua grandeza, de que somos filhos submissos a sua Vontade e não ao contrário como muitos equivocados pensam. Bem como na oração do Pai nosso: “seja feita a sua vontade”; é a vontade dele e não a nossa. Então quando amamos o próximo, amamos a Deus, quando respeitamos a natureza, louvamos a Deus; quando contribuímos pelo progresso do nosso planeta, louvamos as obras da sua criação.
A prece de agradecimento AGRADECER: é de vital importância; agradecer por tudo que temos na vida. Se formos fazer uma análise fria do que nos cerca, iremos perceber que temos muito mais coisas boas que dificuldades. Agradecendo pela comida que nos mantém vivos; pela roupa, a casa e o trabalho; e ainda por termos uma família, amigos e a oportunidade do lazer. Lembremo-nos que apesar de parecerem coisas corriqueiras na vida de todos, há muitos que por vários motivos não as têm. Embora Deus não precise de agradecimentos, ao reconhecermos Sua ajuda, estaremos nos predispondo a continuar recebendo-a, pois o grande beneficiado pela prece somos nós mesmos. AÇÃO DA PRECE, TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO Diz nos André Luiz na obra Entre a Terra e o Céu: que a prece qualquer que seja ela, é ação provocando uma reação que lhe corresponde. Conforme a natureza, paira na região em que foi emitida, ou se eleva, se mais ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo as finalidades à que se destina. Cada prece tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de freqüência e todos estamos cercados por inteligências capazes de sintonizar com nosso apelo, a maneira de estação receptora. Quando nos colocamos em sentido de prece, voltamos nossos pensamentos a Deus, nossas energias se elevam, quanto mais elevado for a natureza dos sentimentos nossa prece será captada pelos Espíritos que são encarregados da execução das vontades de Deus. Se o sentimento no momento da prece é de revolta, de queixas descabidas, onde será que a prece vai ser recepcionada? E quem será que vai ouvi-las? Estamos cercados por variadas inteligências das quais nos identificar conforme nosso teor de vibração. Uma prece queixosa, ou se estamos magoados com um irmão, não passara do teto da nossa própria casa. Por isso que o primeiro item do cap. do Evangelho Segundo o Espiritismo , aqui tratado, fala das condições da prece, ou melhor dizendo da própria condição do Ser no momento de orar. No item 9 do mesmo capitulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que a prece é uma invocação; por ela nos colocamos em comunicação mental com o outro ser ao qual se dirige. Quando dirigimos as preces a Deus, são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução da vontade de Deus, as que são dirigidas aos Bons Espíritos também são levadas a Deus, e as que são dirigidas a outros seres, que não Deus, são apenas intermediários, posto que nada é feito sem a vontade do Pai. Então a ação da prece explica-se pela transmissão do pensamento, ou seja, quando se emite um apelo, este vai através de um pensamento, esse pensamento emanado gera um impulso no fluido cósmico universal a qual estamos todos os seres encarnados e desencarnados mergulhados. Esse impulso por sua vez, gera uma vibração que terá a mesma natureza do pensamento emitido. Essa vibração vai criar uma corrente fluídica de contato com o ser invocado, que percebendo-a vem atender. A energia dessa corrente esta em razão do vigor do pensamento e da vontade. Por isso a prece é ouvida pelos Espíritos aonde quer que eles estejam, transmitindo as suas inspirações através desse intercambio. Assim sendo, pela prece chamamos o concurso dos Bons Espíritos, que vem sem demora, nos sustentar nas boas resoluções e inspirarm-nos os bons pensamentos, adquirindo dessa forma as forças morais que necessitamos para vencer as dificuldades, suportar as dores com retidão de caráter e seguir pelo caminho reto da redenção. ORAR PELOS MORTOS Devemos orar pelos mortos? Que valor tem a oração para aqueles que se encontram no mundo espiritual? Diz-nos o Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. XXVII, item 18), que a prece pelos mortos são lhes útil porque na medida em que pensamos neles, sentem-se menos abandonados e menos infelizes; Mas além disso, a prece para eles exerce uma ação direta, provocando nos mesmos o soerguimento, incentivando-lhes a coragem e o desejo de se elevarem pelo arrependimento e os ajuda a desviarem-se dos pensamentos maus. Portanto, a prece por eles não só alivia, mas abrevia seus sofrimentos. Sabemos pela Doutrina Espírita que o mundo espiritual cerca-nos, que de nós está separado apenas pela condição da matéria. Nossos “mortos,” estão próximos, quando não nos acompanhando. Portanto orar por eles têm a mesma eficácia do que orar por aqueles que ainda permanecem no corpo físico. ORAR PELOS DOENTES E AFLITOS Orar pelos doentes e aflitos é ato de amor e caridade, pois, quando oramos invocamos as forças divinas, atraindo as para nós, que identificando nosso sincero sentimento de ajudar aquele que se encontra em dificuldade unem-se às nossas próprias energias que serão transmitidas àqueles pelos quais estamos intercedendo. ORAR PELOS QUE NOS PERSEGUEM Mateus 5:44 - Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; (grifo nosso) Quando propomos a orar pelos que nos perseguem, pelos nossos inimigos, o primeiro beneficiado somos nós mesmos. Porque neste ato, estamos vencendo principalmente o nosso orgulho, e devolvendo com o bem o mal que nos desejam. MANEIRA DE ORAR No item 22 do cap. XXVII do Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos como orientação a maneira de orar. Em primeiro lugar devemos nos posicionar com humildade, e com profundo arrebatamento de gratidão. Portanto, devemos sempre começar a prece com os agradecimentos por todos os benefícios concedidos até aquele dia. Depois, podemos pedir... mas pedir o que? As graças de que temos necessidades, mas uma necessidade real, pois inútil é pedirmos abreviação das provas, alegrias e riquezas materiais, mas podemos exagerar nos pedidos das riquezas espirituais, quais sejam paciência, resignação, piedade, amor, paz, entendimento, sabedoria, boas intuições, pedir o nosso melhoramento espiritual. O que vale não é as palavras poéticas de uma prece decorada, mas o sentimento que brota da alma, um simples “obrigado meu Deus pela vida que me deste”, com real e verdadeiro sentimento de gratidão vale mais do mil palavras prontas. Jesus nos deixou sim uma oração, para servir de exemplo, a oração Pai Nosso, que é o símbolo de todas as preces, e nela encerra todo os seus ensinamentos. Veja-se: “Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o teu nome” Revela: primeiro que cremos na sua existência, e humildemente nos submetemos a sua natureza paternal. “Venha o vosso reino” As obras da criação divina são fundamentadas em leis cheias de sabedoria; leis estas que se fossem cumpridas, reinaríamos em clima de paz, amor, e justiça. Quando chamamos o reino de Deus, estamos despertando em nós essas leis divinas que estão impressas na consciência. E dia chegara que essas leis divinas é que reinaram sobre a Terra. “Seja feita a vossa vontade, na Terra como no Céu” Traduz a submissão que é dever do filho para com o Pai, do inferior ao superior, da criatura perante o seu criador. “Daí nos o pão de cada dia” O alimento físico e espiritual. O alimento físico é conquistado através do trabalho, do esforço próprio, e quando isso não é possível, para muitos chega através de mãos amigas inspiradas pelos Bons Espíritos. O alimento espiritual vem pelo Evangelho e sua prática. “Perdoai as nossas ofensas assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido” Com essas palavras pedimos forças espirituais para sufocar em nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo o rancor! “Não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal” Pedimos assim as forças para resistir às sugestões dos maus, as influências negativas de Espíritos que querem nos desviar do caminho do bem. A prece é nosso maior veiculo de comunicação com Deus, é ato de submissão a sua vontade, é porto seguro na hora da angustia, é alento nos momentos de solidão, é a força que nos impulsiona a evolução. Por ela temos a certeza de que não estamos sós! Para encerrar este singelo texto, transcrevo abaixo a Prece de Cáritas, umas da mais belas preces que já vi. Ditado pelo Bom Espírito Cáritas, em 1873. Prece de Cáritas
Texto: Nara Cristina Goulart Bibliografia consultada: Livro dos Espíritos Evangelho Segundo Espiritismo cap. XXVII Entre a Terra e o Céu Missionários da Lu |
